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O fim do
Estádio de Remo da lagoa
Copenhague,
Dinamarca, 2009: Assim que o Rio de Janeiro
foi escolhido para as
Olimpíadas 2016 não faltaram dirigentes, políticos e discursos ufanistas.
O presidente Lula, com lágrimas nos olhos, declarou na ocasião
que "é
preciso evitar que 'gringo' leve medalha na Olimpíada do Rio".
Infelizmente ficamos nas promessas e a realidade transformou-se em decepção para todos que esperavam o
ressurgimento do remo no Brasil.
Essa frustração com as promessas para o esporte não é novidade.
No Pan2007 gastaram milhões
do dinheiro público e não deixaram legado algum para o remo.
Ou pior, além de não ficar com nada, o remo agora perde sua
principal vitrine e a esperança de fazer seu Centro de Treinamento
no mesmo local onde serão as Olimpíadas 2016. Melhor oportunidade,
impossível.
O Estádio de Remo,
um
bem público tombado, está misteriosamente envolvido numa
luta do Ministério Público contra a Glen Entertainment. Esse
episódio serve para demonstrar a contradição que separa a hipocrisia existente
no discurso do poder público e a realidade do esporte nacional.
Causa
indignação saber que a privatização questionável do Estádio de Remo foi
transformada em disputa judicial por que o poder público fugiu de sua responsabilidade
com aquela praça pública e permitiu seu sucateamento. É
incompreensível que o governador Sergio Cabral e o prefeito
Eduardo Paes, que investiram milhões para trazer as Olimpíadas
para o Rio de Janeiro, se calem e não ajudem o Ministério
Público nessa luta
A FAVOR DO ESTÁDIO DE
REMO. A estranha forma dessa privatização dá margem à especulações, principalmente quando
sabemos que o Estádio está situado em
uma das áreas mais valorizadas do país às margens da lagoa
Rodrigo de Freitas.
Dia
22/4/2012 a TV Alerj fez um programa sobre o Estádio de Remo com
a jornalista Natalia Pugliese, Alessando Zelesco, ex-presidente
da Frerj e o deputado Marcelo Freixo. Entre outras importantes
declarações, o
deputado estadual e pré-candidato à prefeitura do Rio, Marcelo Freixo, lembra que o Rio de Janeiro, através do seu governador
Sérgio Cabral e do seu prefeito Eduardo Paes se transformou em
um grande balcão de negócios que privilegia algumas empresas.
- É sempre a mesma
regra: não tem licitação! Quem é o dono dessas empresas que
estão ganhando dinheiro com isso? Inclusive, sobre essa parece
que tem um sócio que é do Uruguai e que ninguém sabe quem é. A regra é sempre
a falta de transparência e o interesse público atrás da
capacidade do interesse privado lucrar!
Conforme
publicado no site
Clube de
Regatas Piraquê suspeita-se
que por trás de tudo isso está a Rede Globo que futuramente
pretende instalar-se no local. Dizem que O Globo não costuma publicar
matérias ou cartas de leitores quando o
assunto contém críticas à privatização do Estádio de Remo.
O site Remo2016 tentou diversas vezes entrar em contato com jornal O Globo
a fim de esclarecer o assunto, mas O Globo nunca respondeu.
Pode ser que
o medo de sofrer represálias seja um dos motivos da omissão dos dirigentes do Comitê
Olímpico Brasileiro (COB), Confederação de Remo (CBR), Federação
de Remo do Rio de Janeiro (Frerj), os presidentes dos clubes de remo (Botafogo, Flamengo, Vasco da Gama
etc.) e o comandante da Marinha do Brasil, os maiores usuários
do Estádio de Remo.
Felizmente o
sentimento cívico não morreu para muitos que defendem o Estádio
de Remo. Além do belo exemplo do Ministério Público, as
associações de moradores da zona sul do Rio de Janeiro e outras
importantes instituições como a Docomo Brasil, sediada na
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São
Paulo e personalidades como o arquiteto Oscar Niemeyer.

Conforme
denunciou a
revista Veja, a Glen
Entertainment está fazendo um puxadinho indecente no Estádio de
Remo: colocaram exaustores e chaminés na
arquibancada transformando-a numa espécie de telhado do shopping, prejudicando a visão e a segurança dos torcedores do Estádio de Remo.
Na falta de um projeto inteligente, estão fazendo um mafuá arquitetônico. Para piorar, não bastasse o desvirtuamento da finalidade
do estádio, retiraram o nome ESTÁDIO DE REMO da fachada e o
substituíram pelo nome "lagoon"!
Com a transformação do Estádio
em shopping e outras
mazelas imobiliárias, além de desviar a finalidade do local, o aumento de trânsito
vai congestionar ainda mais a cidade. Onde serão despejados os
esgotos dos restaurantes, bares, lanchonetes e cinemas? Pelo que
se sabe a rede de esgoto em torno da lagoa está sobrecarregada e
frequentemente estoura e vira notícia dos jornais com troca
de acusações entre as empresas responsáveis, prefeitura e estado.
Quem fiscalizará o aumento da poluição na lagoa e meio ambiente,
como o barulho do trânsito e emissão de gases tóxicos?
Será que a Glen ganhará com essa estranha privatização enquanto
a cidade é quem pagará a conta?

A Glen subtraiu o espaço do remo e os jardins para fazer um caro
estacionamento. A criação de uma vaga privativa (foto) para o
"dono do estádio" serve como exemplo dessa ousadia.
Agora, para treinar diariamente um remador pagará cerca de mil reais
por mês apenas no estacionamento. Por ano, gastará mais de 10 mil
reais! A bolsa atleta que o Ministério da Educação paga nem dá
para isso. Infelizmente, por egoísmo
ou ignorância, muitos não se importarão com isso. Esse é o espírito olímpico do Brasil!
Pelo visto,
se dependermos do Estádio de Remo da lagoa para divulgar o
esporte, atrair e preparar novos atletas para as Olimpíadas,
quem sairá ganhando é essa obscura privatização. Privataria? Acabaram com
a identidade do Estádio de Remo da lagoa e desfiguraram o belo
projeto de Benedicto de Barros, tombado pelo
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que o projetou com a
finalidade de servir como uma praça de esportes.
Resta apoiar
o Ministério Público e torcer para que ele consiga êxito em
recuperar o Estádio de Remo e sua missão de ser uma praça de
esportes, inclusão
social, educação de milhares de crianças e lazer gratuito da
população. Esse sim, esse deveria ser o fim do Estádio de Remo da lagoa!
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