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Fabiana Beltrame
Campeã Mundial de Remo

Bled, Eslovênia, 2/9/2011

Fabiana Beltrame conquistou a primeira medalha de ouro do remo do Brasil em campeonatos mundiais. O site REMO2016 parabeniza Fabiana. Salve, Salve Fabiana! A vitória é toda sua!
 
REMO2016: Fabiana, ao que você atribui sua brilhante vitória!
        - Em primeiro lugar a minha família, meu marido Gibran que me dá todas as condições pra poder treinar tranquila, e a minha filha Alice, que mesmo sem saber, é minha grande inspiração. Também devo muito ao técnico José Oyarzabal, que me ajudou muito, principalmente na parte técnica, com a ajuda do técnico Rodrigo Rodrigues. O meu clube, Flamengo, também é meu grande incentivador, e me apoia em tudo que preciso. É difícil agradecer a todos, por que sempre vou esquecer alguém, mas todos que de alguma forma, me ajudaram durante toda minha trajetória até chegar aqui, fazem parte dessa vitória.
 
x REMO2016: O que outros atletas, técnicos e clubes do Brasil deveriam fazer para chegar ao sucesso nas Olimpíadas de 2016?
        - Acima de tudo, o remo brasileiro precisa de um planejamento, a formação de um remador de alto nível, não é de um dia pro outro, o trabalho tem que começar a ser feito "pra ontem".
Para citar um exemplo, as grandes potências do remo mundial, assim que souberam que os Jogos seriam no Brasil, já fizeram contato com o país para fazer campos de treinamento no país. Cinco anos passam muito rápido!!

Clique aqui e ganhe uma lembrança da Fabiana.


Ano de Nascimento: 1982; Cidade: Florianópolis - Santa Catarina - Brasil
Clube Atual: C.R. Flamengo - Rio de Janeiro; Altura: 1,72 m

Fabiana em Atenas 2004: a primeira remadora brasileira numa Olimpíada.Fabiana, como você descobriu o remo?
Descobri o remo na minha cidade natal, Florianópolis, primeiro por que uma colega minha da escola remava e
fiquei interessada. Mas também por que quando passeava na beira-mar, via as pessoas remando e achei muito legal, um esporte ao ar livre, em contato com a natureza. Então eu e uma amiga minha decidimos experimentar, por que nunca gostamos de academia, mas gostávamos muito de praticar esportes.


Quais os maiores desafios que você teve de enfrentar para se tornar uma remadora da seleção brasileira?
O remo é um esporte muito duro, tinha que acordar muito cedo, por que estudava de manhã, e tinha que treinar antes da escola pra poder fazer dois treinos diários. No começo meus pais achavam uma loucura, uma menina de 15 anos, idade em que a maioria dos adolescentes quer sair à noite e se divertir, acordar tão cedo pra treinar. Mas também tem a falta de apoio, o remo é um esporte pouco conhecido e carente de investimentos. Meu clube na época, o Martinelli, sempre fazia todo esforço possível para que eu pudesse participar dos campeonatos nacionais e seletivas, mas era sempre muito difícil.

Você competiu nas Olimpíadas de Pequim em 2008. Ficou alguma lição importante?
As Olimpíadas de Pequim serviram pra mostrar que o os atletas estão sempre em evolução. Em Atenas 2004, tinha conseguido a 14ª colocação, o que foi ótimo, para uma primeira participação feminina no esporte. Já em Pequim, fiz praticamente o mesmo tempo, não evoluí nada e fiquei em 19º, isso porque a nossa preparação foi muito ruim. Jogos Olímpicos não é brincadeira, são os melhores do mundo lutando por medalhas.

Fabiana nas Olimpíadas de Pequim em 2008

Fora a sua participação nas Olimpíadas de 2008, houve alguma competição que ficou na sua memória?
Os Jogos Olímpicos de Atenas têm um gostinho muito especial pra mim, porque foi a minha primeira e tudo era novidade, e principalmente por que ficou muito marcado por ser a primeira participação feminina, como já havia mencionado e teve uma repercussão muito grande.

Campeonato Sul-americano 2002Os Jogos Sul Americanos de 2002 também foi muito bom, por que a nossa seleção treinou junta muito tempo, nos tornamos uma família e vencemos quase todas as provas, foi demais.


Como é o seu treinamento típico atual?
Eu faço dois treinamentos diários. Pela manhã é sempre o treino mais forte, que exige mais, como trabalhos de velocidade, peso resistência e remo de longa distância. À tarde faço peso força ou remo na água, com um trabalho mais técnico. No total, varia entre 3 a 5 horas diárias de treinamento.


Sul-americano 2010Conte para nós quais são seus planos para o futuro.
Eu estou numa nova fase da minha vida, tanto pessoal quanto profissional. Tornei-me mãe há nove meses e acho que isso me tornou mais forte. Também mudei de categoria, agora sou peso leve, categoria até 59 Kg, e acho que vou ter melhores resultados internacionalmente. Pretendo competir bem no Pan Americanos do ano que vem e tentar trazer uma medalha inédita para o remo feminino do país. E também tentar classificar para os Jogos Olímpicos de Londres.


O que falta para realizar seus sonhos como remadora?
Um sonho que é possível, é ganhar uma medalha no pan-americano. Um sonho que considero ainda impossível é ganhar uma medalha olímpica.
 

A família reunida: Fabiana, Gibran e Alice.O que você faz quando não está remando?
Atualmente sou mãe 24 horas por dia, minha filha, Alice, tem 9 meses e exige atenção constante. Mas gosto de passear com a família nos finais de semana ou reunir os amigos em casa pra conversar.


Que conselhos você daria para alguém que está entrando agora no remo sonhar em competir nas Olimpíadas de 2016?
O remo é um esporte como todos os outros, que exige muita dedicação, treinamento pesado e disciplina. Quem sonha competir em 2016, tem que ter muita seriedade e treinar com afinco, por que não é por que os Jogos vão ser aqui, que vai ser mais fácil. A torcida ajuda, mas não é tudo.

Entrevista em 10/6/2010